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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Sexa

Luís Fernando Veríssimo

- Pai…
- Hmmm?
- Como é o feminino de sexo?
- O quê?
- O feminino de sexo.
- Não tem.
- Sexo não tem feminino?
- Não.
- Só tem sexo masculino?
- É. Quer dizer, não. Existem dois sexos. Masculino e feminino.
- E como é o feminino de sexo?
- Não tem feminino. Sexo é sempre masculino.
- Mas tu mesmo disse que tem sexo masculino e feminino.
- O sexo pode ser masculino ou feminino. A palavra "sexo" é masculina. O sexo masculino, o sexo feminino.
- Não devia ser "a sexa"?
- Não.
- Por que não?
- Porque não! Desculpe. Porque não. "Sexo" é sempre masculino.
- O sexo da mulher é masculino?
- É. Não! O sexo da mulher é feminino.
- E como é o feminino?
- Sexo mesmo. Igual ao do homem.
- O sexo da mulher é igual ao do homem?
- É. Quer dizer… Olha aqui. Tem o sexo masculino e o sexo feminino, certo?
- Certo.
- São duas coisas diferentes.
- Então como é o feminino de sexo?
- É igual ao masculino.
- Mas não são diferentes?
- Não. Ou, são! Mas a palavra é a mesma. Muda o sexo, mas não muda a palavra.
- Mas então não muda o sexo. É sempre masculino.
- A palavra é masculina.
- Não. "A palavra" é feminino. Se fosse masculina seria "O pal…"
- Chega! Vai brincar, vai.
O garoto sai e a mãe entra. O pai comenta:
- Temos que ficar de olho nesse guri…
- Por quê?
- Ele só pensa em gramática.

in "Comédias para se Ler na Escola", Publicações Dom Quixote, 2002, Lisboa. — 10/11/2005

Sobre o Autor:

Escritor, cronista e jornalista brasileiro, nascido em 26 de S[s]etembro 1936, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

A interatividade do sistema de tutoria e a construção da autonomia do aluno.

Como tutora, consciente do meu papel, tenho o compromisso de encaminhar a disciplina na qual leciono promovendo a interação total com os meus alunos, de modo que não ocorram isolamentos e que haja a promoção da autonomia de aprendizagem.
Observo que o sucesso da Educação a Distância está no desenvolvimento de uma metodologia centrada no aluno, interativa, em que o aprendiz seja o centro do processo, que a autonomia da aprendizagem seja estimulada e que vise a desenvolver habilidades cognitivas associadas às diversas áreas do conhecimento.
"Em uma abordagem construtivista, as ferramentas pedagógicas devem viabilizar a iniciativa por parte dos alunos, diminuindo as dos faciltadores pedagógicos no controle das atividades (Oliver, l996). Nesse sentido, o aluno tem a possibilidade de gerenciar a si próprio como aprendiz, a sua forma de aprender e a conduzir sua experiência de aprendizado." E, concebendo o ambiente virtual de aprendizagem um espaço essencialmente sócio-interacionista, alguns pontos destas teorias norteiam o aprendizado na educação a distância no que diz respeito à autonomia do aluno. São eles:
  • A Interatividade, envolve um relacionamento entre pessoas de experiências diversas, entre ferramentas e atividades culturalmente organizadas. Ela depende da relação entre grupos, desejos, motivações, culturas, interesses individuais e sociais.
  • A Coperação é uma relação compartilhada estabelecida entre os participantes do programa no desenvolvimento da aprendizagem e na realização de projetos de interesse comum. Esta relação se caracteriza pela desigualdade do conhecimento entre os participantes, pelo sistema de combinações e compromissos estabelecidos na solução de problemas significativos.
  • A Autonomia, a capacidade que o aluno possui em auto-determinar-se, escolher, apropriar-se e reconstruir o conhecimento produzido culturalmente em função de suas necessidades e interesses. Caracteriza-se pela responsabilização, auto-determinação, decisão, auto-avaliação e compromissos a partir da reflexão de suas próprias experiências e vivências.
Reafirmo que na modalidade EAD existe a necessidade do uso de estratégias que estimulem os alunos para que eles se motivem, não desanimem e não desistam. Basicamente, estas estratégias passam pela valorização das iniciativas dos alunos com o feedback dos trabalhos no tempo estabelecido. Além, claro, da indicação de leituras complementares, a criação de um clima propício para problematizações do conteúdo, dando ao aluno autonomia para que procure por respostas e busque por seus colegas, promovendo assim a cooperação entre eles.
Pode-se perceber que a autonomia fica a critério do sujeito, que envolve e relaciona tanto aspectos cognitivos quanto afetivos, desde que o seu tutor lhe forneça meios para tal.
A autonomia na aprendizagem é um processo de construção individual, porém se dá a partir das relações, práticas, conexões e interações que o aprendiz estabelece com os diferentes sujeitos com os quais se relaciona e que integra as dimensões cognitivas e intersubjetivas/afetivas do próprio indivíduo. Por ser um processo gerado de maneira colaborativa, pois depende das interações realizadas entre sujeito e meio, o tutor tem papel de destaque na sua tecitura ao se configurar como mediador pedagógico que é capaz de estimular e desafiar o aluno a construir novos saberes, seja individual ou coletivamente.
Desta foram, coloco-me na posição mediadora entre a aprendizagem e o meu aluno, além de incentivadora na construção de uma autonomia própria desses indivíduos, através do planejamento de estratégias que os levem a alcançar "territórios do conhecimento", nunca antes por eles explorados.
E para finalizar esta carta, deixo para a nossa reflexão as palavras do educador português Antônio Nóvoa: "a troca de experiências e a partilha de saberes consolidam espaços de formação mútua, nos quais cada professor é chamado a desempenhar, simultaneamente, o papel de formador e de formando" (Nóvoa,1992)

Referências

CARVALHO, Maria Alice Pessanha e STRUCHINER, Miriam. UM AMBIENTE CONSTRUTIVISTA DE APRENDIZAGEM A DISTÂNCIA: ESTUDO DA NTERATIVIDADE, DA COOPERAÇÃO E DA AUTONOMIA EM UM CURSO DE
GESTÃO DESCENTRALIZADA DE RECURSOS HUMANOS EM SAÚDE - Ensp/Fiocruz E Nutes/UFRJ

LIMA, ROSÂNGELA LOPES. CAPACITAÇÃO DE PROFISSIONAIS COMPROMETIDOS COM O APRENDIZADO DO ALUNO. TUTORIA DO CEDERJ
NÓVOA, A. Formação de professores e profissão docente.In: BARRETO, E. S. de S. Capacitação a distância de professores do ensino fundamental no Brasil. Educação e Sociedade, ano XVIII, n. 59,agosto/97.
www.sead.ufpa.br/incAjax/inc.ajax.publicacoes.php?i=20080125110146

Vilarinho, Lúcia Regina Goulart e Rocha, Adriana Conde. CONSTRUÇÃO DA AUTONOMIA NA EDUCAÇÃO ONLINE: UMA VISÃO DE ALUNOS E TUTORES.
http://etic2008.files.wordpress.com/2008/11/unesaadrinacrocha.pdf